O que os sonhos revelam sobre o cérebro? O que diz a Medicina 

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O que os sonhos revelam sobre o cérebro? Para a Medicina, essas experiências mostram que o cérebro continua em atividade enquanto dormimos. Nesse período, ele combina imagens, emoções e lembranças de maneiras nem sempre lógicas.

Mas por que sonhamos, quais regiões participam e até onde é possível interpretar um sonho? Continue a leitura para conhecer as descobertas da Neurociência. Entenda também quando pesadelos ou comportamentos durante o sono merecem avaliação médica.

Como os sonhos são produzidos pelo cérebro?

Alguns sonhos parecem uma história completa; outros são apenas cenas soltas. Essa diferença tem relação com a fase do sono e com as regiões cerebrais em atividade. A seguir, entenda como esse processo acontece. 

Em quais fases do sono nós sonhamos?

Durante a noite, o sono não segue uma linha reta. Passamos várias vezes pelo sono não REM, dividido em três estágios, e pelo sono REM. É daí que vem a ideia de que sonhamos apenas no REM, mas não é bem assim.

Segundo a Academia Brasileira do Sono, os sonhos podem surgir em qualquer fase. No sono REM, costumam ser mais vívidos, emocionais e incomuns. Já no não REM, tendem a lembrar pensamentos ou situações do cotidiano. Despertar logo depois também aumenta a chance de recordar o que aconteceu.

Quais áreas do cérebro participam dos sonhos?

Mesmo quando um sonho parece um filme completo, não existe um único “diretor” por trás dele. A experiência nasce do trabalho conjunto de diferentes regiões:

  • hipocampo: recupera elementos das nossas memórias;
  • amígdala: participa das emoções vividas durante o sonho;
  • áreas visuais do córtex: ajudam a criar imagens e cenários;
  • córtex pré-frontal: alterações em sua atividade ajudam a explicar a menor organização lógica;
  • tronco encefálico: participa do sono REM e do relaxamento dos músculos.

Um estudo publicado na revista Nature Neuroscience encontrou padrões cerebrais relacionados a relatos de sonhos tanto no sono REM quanto no não REM. É essa atividade em rede que permite ao cérebro criar experiências tão convincentes enquanto dormimos. Mas por que ele faz isso? É o que veremos a seguir.

Por que sonhamos segundo a Medicina?

Entender como os sonhos se formam leva a uma pergunta inevitável: afinal, por que sonhamos? A Medicina ainda não encontrou uma resposta única. Existem, porém, hipóteses relacionadas à memória, às emoções e à reorganização das experiências. Conheça as principais.

1. Os sonhos ajudam a organizar memórias

Durante o sono, o cérebro reativa e reorganiza informações adquiridas enquanto estamos acordados. Nos sonhos, esse processo pode combinar:

  • acontecimentos recentes;
  • lembranças antigas;
  • pessoas de diferentes momentos da vida;
  • lugares familiares em situações incomuns.

Em um estudo publicado na revista Current Biology, participantes aprenderam uma tarefa de navegação virtual antes de cochilar. Aqueles que sonharam com a atividade apresentaram um desempenho melhor no teste posterior. 

O resultado reforça a hipótese de que os sonhos acompanham o processamento das memórias durante o sono. A participação direta deles nessa melhora ainda está sendo investigada. 

2. Qual é a relação entre os sonhos e as emoções?

Situações que provocaram medo, alegria ou preocupação podem reaparecer nos sonhos, embora nem sempre da forma como aconteceram. Durante o sono REM, regiões ligadas às emoções, como a amígdala, apresentam atividade. Isso ajuda a explicar por que os sentimentos vividos durante um sonho podem parecer tão reais.

Uma pesquisa publicada na revista Scientific Reports analisou essa relação da seguinte forma:

  • os participantes observaram imagens emocionais antes de dormir;
  • ao acordar, tiveram a memória e a reação emocional avaliadas;
  • quem recordou sonhos preservou mais as imagens negativas na memória;
  • esse grupo reagiu com menor intensidade às imagens no dia seguinte.

Os resultados sugerem que os sonhos podem acompanhar a reorganização de experiências marcantes e das reações ligadas a elas.

3. Por que os sonhos podem parecer tão estranhos?

Quando estamos acordados, o córtex pré-frontal ajuda a avaliar o que faz sentido, planejar ações e questionar situações improváveis. Durante o sono REM, algumas áreas ligadas a esse pensamento crítico apresentam uma atividade diferente. Ao mesmo tempo, regiões relacionadas a imagens, memórias e emoções continuam ativas.

Essa combinação ajuda a explicar por que, nos sonhos:

  • pessoas de épocas diferentes aparecem juntas;
  • os lugares mudam de uma cena para outra;
  • situações impossíveis parecem normais;
  • a história avança sem uma sequência clara.

Enquanto sonhamos, essa narrativa pode parecer natural. A estranheza costuma ficar mais evidente depois que acordamos. Mas será que essas histórias revelam algo sobre quem sonha? Entenda no próximo tópico.

O que os sonhos revelam sobre o cérebro?

Depois de entender como os sonhos se formam, surge outra dúvida: é possível interpretá-los? Eles mostram que a atividade cerebral durante o sono mantém relações com a vida desperta. Porém, seu conteúdo não funciona como um mapa da personalidade ou do futuro. Entenda esses limites.

Os sonhos refletem experiências do dia a dia?

Podem refletir, mas de maneira indireta. O cérebro não reproduz os acontecimentos como uma gravação. Algumas experiências reaparecem modificadas e misturadas a outros elementos.

Um estudo publicado no Journal of Sleep Research mostrou que situações pessoalmente significativas podem surgir em sonhos de noites posteriores. O resultado confirma uma relação com a vida desperta, mas o relato não permite reconstruir exatamente o que aconteceu.

Os sonhos têm um significado universal?

Já sentiu curiosidade para saber o que significa sonhar com queda, dentes ou animais? A Medicina não atribui um significado fixo a essas imagens. Na prática, um sonho isolado não permite:

  • prever acontecimentos futuros;
  • diagnosticar uma doença;
  • definir a personalidade;
  • atribuir o mesmo significado a um símbolo para todas as pessoas.

No início do século XX, Sigmund Freud ajudou a popularizar a ideia de que os sonhos poderiam expressar desejos e conflitos inconscientes. A Neurociência atual investiga a atividade cerebral e a relação dos sonhos com experiências pessoais. Até agora, não existe um dicionário médico capaz de traduzir cada imagem.

Por que alguns sonhos se repetem?

Às vezes, o enredo muda, mas a mesma situação volta várias noites. Essa repetição pode ser influenciada por:

  • preocupações persistentes;
  • períodos de estresse;
  • experiências emocionalmente marcantes;
  • situações vividas com frequência.

Ainda assim, um sonho recorrente não comprova, sozinho, a existência de trauma ou transtorno. O contexto, a frequência e o impacto no descanso precisam ser considerados. Se esses episódios causarem sofrimento ou prejudicarem o sono, vale buscar avaliação médica. Veja, a seguir, quais sinais pedem atenção.

Quando os sonhos merecem avaliação médica?

Um sonho isolado não indica uma doença. Procure orientação quando os episódios:

  • causam medo de dormir;
  • prejudicam o descanso;
  • provocam sonolência durante o dia;
  • envolvem gritos, chutes ou movimentos intensos;
  • apresentam risco de ferimentos;
  • estão ligados a uma experiência traumática.

Esses sinais podem estar relacionados a parassonias ou outros transtornos do sono. A Medicina do Sono avalia o histórico de cada pessoa. Quando necessário, utiliza a polissonografia para registrar a atividade cerebral, os movimentos dos olhos, a respiração e a atividade muscular durante a noite. 

Como vimos, os sonhos podem surgir em diferentes fases do sono e envolvem regiões ligadas à memória, às imagens e às emoções. Entender o que os sonhos revelam sobre o cérebro passa por essas relações. Eles podem incorporar experiências do cotidiano, mas não possuem um significado universal.

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Foto de Jonas Nascimento
Jonas Nascimento
Jonas Nascimento é publicitário, coordenador de Marketing e especialista em SEO. É responsável pela curadoria editorial do blog da Unime, que traz conteúdos de Medicina sobre faculdade, carreira, especialidades e atuação profissional na área da saúde. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/jtfnascimento/
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