Por que a música mexe com as emoções? O que a Neurociência explica 

Por que a música mexe com as emoções? A resposta começa no cérebro, que não apenas reconhece ritmos e melodias. Ele também relaciona os sons a expectativas, recompensas e experiências guardadas na memória.

Essa integração ajuda a explicar por que uma canção pode melhorar o humor, causar arrepios ou trazer uma lembrança em poucos segundos. Continue a leitura para entender o que a Neurociência já descobriu sobre essas reações e como a música pode ser usada na saúde.

O que acontece no cérebro quando ouvimos música?

Já parou para pensar em como uma sequência de vibrações se transforma em música? Os ouvidos convertem os sons em sinais que chegam ao cérebro. Diferentes regiões reconhecem ritmos e os relacionam a movimentos, expectativas, lembranças e emoções. Entenda como isso acontece.

O córtex auditivo organiza os elementos da música

Quando o som chega ao cérebro, uma das primeiras áreas a analisá-lo é o córtex auditivo. Ele fica nos lobos temporais, nas regiões laterais do cérebro, e ajuda a identificar os elementos que formam uma música:

  • Altura: diferencia sons graves e agudos;
  • Intensidade: percebe se o som está forte ou fraco;
  • Ritmo: reconhece a duração, os intervalos e a repetição dos sons;
  • Timbre: permite distinguir uma voz de um violão ou de outro instrumento;
  • Melodia: acompanha a sequência das notas musicais.

O cérebro reconhece padrões no ritmo e na melodia e cria expectativas sobre os sons seguintes. Quando a música muda de forma inesperada, ele percebe essa quebra na sequência. 

Diferentes regiões transformam sons em uma experiência

Reconhecer ritmo, timbre e melodia é apenas o primeiro passo. Depois de organizar esses elementos, o córtex auditivo atua em conjunto com outras áreas do cérebro.

O córtex pré-frontal participa das expectativas, o hipocampo relaciona a música às lembranças e a amígdala avalia sua importância emocional. Essa integração transforma uma sequência de sons em uma experiência com significado e inicia a relação entre música e emoções.

Por que a música mexe com as emoções?

Se o cérebro transforma sons em experiências, por que algumas músicas despertam prazer, tensão ou tranquilidade? A resposta envolve memória, expectativa e sistema de recompensa. Entenda como essa rede produz reações tão diferentes. 

O sistema límbico participa da resposta emocional

O sistema límbico reúne estruturas relacionadas às emoções e à memória. Entre elas está a amígdala, que participa da avaliação da importância emocional dos estímulos.

Mudanças inesperadas na música podem aumentar a tensão, enquanto a chegada de um trecho aguardado pode produzir alívio. Ainda assim, o sistema límbico não trabalha sozinho. A experiência depende da comunicação com áreas auditivas, frontais e de recompensa.

A dopamina participa do prazer e da expectativa

A dopamina é um dos neurotransmissores envolvidos na motivação, no aprendizado e na recompensa. Sua liberação pode ocorrer tanto na expectativa quanto no momento de maior prazer proporcionado pela música.

Em um estudo publicado na revista Nature Neuroscience foi analisada a resposta cerebral a músicas consideradas prazerosas pelos participantes. Os pesquisadores identificaram a participação de regiões diferentes:

  • Núcleo caudado: apresentou maior envolvimento durante a expectativa;
  • Núcleo accumbens: participou do pico de prazer provocado pela música.

Isso ajuda a explicar por que esperar pela parte favorita de uma canção também pode ser prazeroso. A intensidade dessa resposta, porém, varia conforme a pessoa e a música.

Por que sentimos arrepios ao ouvir uma música?

A resposta à música não fica restrita ao cérebro. Em momentos de emoção intensa, ela também pode aparecer no corpo na forma de arrepios.

Esse pico emocional pode ativar o sistema nervoso autônomo, responsável pelas reações involuntárias do corpo. Nesse momento, podem ocorrer: 

  • alteração dos batimentos cardíacos;
  • mudança no ritmo da respiração;
  • aumento da tensão muscular;
  • sensação de frio ou pelos arrepiados.

Em um estudo sobre o prazer provocado pela música, os neurocientistas Anne Blood e Robert Zatorre observaram mudanças cardíacas, respiratórias e musculares durante os arrepios. Isso significa que a emoção musical também pode se manifestar no corpo. 

Por que algumas músicas despertam lembranças?

Já aconteceu de uma música começar e você se lembrar imediatamente de uma pessoa ou de um lugar? Isso ocorre porque o cérebro pode associar a canção ao contexto e às emoções vividas enquanto você a escutava.

Quando a música reaparece, funciona como uma pista para recuperar aquela experiência. Diferentes regiões participam desse processo:

  • Hipocampo: ajuda a formar e recuperar as memórias;
  • Amígdala: participa da importância emocional da experiência;
  • Córtex pré-frontal medial: relaciona informações da música a lembranças pessoais.

Um estudo da Universidade da Califórnia em Davis analisou lembranças despertadas pela música. Quanto maior a ligação pessoal com a canção, maior a atividade no córtex pré-frontal medial, região envolvida no processamento de experiências pessoais. 

Por isso, a música pode servir como uma chave de acesso à memória autobiográfica. Ela não guarda o passado, mas oferece ao cérebro uma pista para reconstruir lembranças relacionadas àquele som. 

Como a música pode ser usada na saúde?

Se a música mobiliza memórias, emoções e reações físicas, será que ela também pode apoiar os cuidados com a saúde? É nesse contexto que entra a musicoterapia.

A prática utiliza experiências musicais de forma planejada, com objetivos terapêuticos e acompanhamento profissional. Conforme as necessidades de cada pessoa, pode contribuir para:

  • comunicação e expressão;
  • interação social;
  • manejo de sintomas;
  • processos de reabilitação;
  • organização emocional.

Quando há uma avaliação adequada e um objetivo terapêutico claro, a musicoterapia pode complementar o cuidado. Isso significa atuar em conjunto com medicamentos e outros tratamentos indicados, sem substituí-los.

Entender por que a música mexe com as emoções passa pela forma como o cérebro relaciona sons ao prazer, às lembranças e às experiências pessoais. Na musicoterapia, essas respostas são trabalhadas de forma planejada e com objetivos terapêuticos. Ainda assim, cada pessoa reage à música de um jeito particular. 

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Jonas Nascimento
Jonas Nascimento é publicitário, coordenador de Marketing e especialista em SEO. É responsável pela curadoria editorial do blog da Unime, que traz conteúdos de Medicina sobre faculdade, carreira, especialidades e atuação profissional na área da saúde. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/jtfnascimento/
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